A Vista de Desterro sem a ponte.
A construção da Ponte Hercílio Luz surgiu de uma necessidade urgente: acabar com o isolamento de Florianópolis. Naquela época, a única forma de entrar ou sair da ilha era por meio de barcos, o que dificultava o comércio e o transporte de pessoas. Para o governador Hercílio Luz, a ponte era mais do que uma estrada; era uma estratégia política para garantir que Florianópolis continuasse sendo a capital do estado, já que outras cidades do continente cresciam e ameaçavam tomar esse posto. Ao idealizar essa obra — que se tornou um marco da engenharia mundial pela sua estrutura suspensa — o governo buscava modernizar Santa Catarina e simbolizar o progresso tecnológico da década de 1920.
Devido ao agravamento de sua saúde, Hercílio Luz não teria tempo de presenciar a conclusão da ponte que leva seu nome. Por isso, em 8 de outubro de 1924, uma estrutura provisória de 18 metros foi montada para que ele a atravessasse simbolicamente. Recém-chegado de Paris, o governador cumpriu o protocolo de inauguração e faleceu 12 dias depois, aos 64 anos de idade.
Logo após a sua inauguração, a ponte transformou a rotina local ao integrar a ilha ao continente e impulsionar a economia, funcionando mediante cobrança de pedágio paga até 1935 por pedestres, veículos de tração animal, automóveis e autobondes.
Década de 60/70
Nas décadas de 1960 e 1970, como única ligação terrestre entre a ilha e o continente, a Ponte Hercílio Luz viveu seu período de maior saturação, suportando filas diárias intensas de carros, ônibus e caminhões — além de tubulações essenciais de água e energia —, o que gerou um desgaste estrutural acelerado pela falta de manutenção e levou à sua interdição no início da década de 1980.
Décadas após a interdição que marcou sua história, a Ponte Hercílio Luz vive uma realidade completamente ressignificada, atuando de forma sustentável no sistema de mobilidade e no turismo de Florianópolis. Reaberta ao tráfego no fim de 2019, a estrutura hoje prioriza o transporte coletivo, táxis, veículos de emergência e a mobilidade ativa por meio de pistas compartilhadas para ciclistas e passarelas para pedestres. Além de descongestionar pontualmente o trânsito entre a ilha e o continente, a ponte passa por protocolos contínuos de conservação e manutenção preventiva para preservar sua integridade estrutural. O espaço também se consolidou como um dos principais pontos de convivência da cidade, sendo fechado para veículos aos fins de semana e feriados para ser ocupado integralmente por moradores e turistas como parque linear, além de servir de palco para celebrações marcantes, como as comemorações de seu centenário.